segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Estou apaixonada


Preciso manter a ilusão de que tudo pode ser doce. Preciso acreditar que a vida pode ser como a voz de Eliete. E que em alguma esquina, um dia — por que não? — encontrarei um amor bonito esperando por mim.

Quando saio, agora, fico impaciente. Quero voltar pra casa, colocar logo o disco para que o mundo todo se reorganize em doçura. Gostar de ouvir Eliete é cuidar de um certo jeito de olhar o mundo. Por trás do susto, perdão de olhos molhados, pegar na mão devagarinho e repetir de verdade, do fundo, sem o menor pudor, sem ânsia alguma:

—Gosto de você. Você existir me ajuda a viver.

Depois, acreditar que tudo vai dar certo. E deixar — como ela canta — que o amor dê o que falar.

O Estado de S. Paulo, 29/4/1986
Caio F.

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