domingo, 5 de agosto de 2012

Ventos de Agosto


Eu sou essa pessoa a quem o vento chama, a que não se recusa a esse final convite, em máquinas de adeus, sem tentação de volta. Todo horizonte é um vasto sopro de incerteza. Eu sou essa pessoa a quem o vento leva: já de horizontes libertada, mas sozinha. Se a Beleza sonhada é maior que a vivente, dizei-me: não quereis ou não sabeis ser sonho? Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga. Pelos mundos do vento, em meus cílios guardadas vão as medidas que separam os abraços. Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina: “Agora és livre, se ainda recordas”.  

Cecília Meireles, Solombra


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