quinta-feira, 12 de julho de 2012

Que o faz-de-conta terminasse assim


"Triste amor que vai morrer 
Por favor, para quê? 
Se um amor igual ao seu 
Nunca vi, não senti 
É preciso compreender 
Sem você 
Vale o quê? 
Tenta entender 
Coisa tão bonita assim 
Não pode ter fim 
Um amor igual ao seu, meu bem 
Tem que ser meu." 



(Triste amor que vai morrer – Elis Regina e Walter Silva) 




Do Rio de Janeiro e seus personagens



Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não era distraída, eu estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade. Não era tour de propriétaire, nada daquilo era meu, nem eu queria. Mas parece-me que me sentia satisfeita com o que via.



(Clarice Lispector, Do Rio de Janeiro e seus personagens)