quarta-feira, 27 de junho de 2012

“Because you’re a loser, Charlie Brown“

(Peanuts)

Poema em linha reta (Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
(...)


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana 
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste mundo largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?




"Há um charme qualquer em quem se move pela vida cheio de dúvidas, indecisões, questionamentos e incertezas, mais do que com ambição e vaidade. Os brilhos dos ouros encantam alguns, mas não todos. Há gente que percebe ser o passageiro disso tudo e se distrai olhando o horizonte, cheirando o café ou andando na areia úmida. Perder ou ganhar está mais no olhar do outro do que no nosso próprio. Para mim é um vencedor aquele que chora, vacila, teme, cai e corajosamente admite e novamente ri, avança, supera e levanta. A vida é mais verdadeira neles."

terça-feira, 26 de junho de 2012

my dear friend

Yoskay Yamamoto

na hora certa

Às vezes a gente só precisa mesmo é de uma conversa sincera com um amigo carinhoso, aquele que nos quer bem de verdade, para que ele relembre quem a gente é, e do que a gente realmente precisa. É isso!


sempre emocionada com os presentes que a vida me dá.

sábado, 16 de junho de 2012

Ensaio sobre o destino I


         Caminhando por entre ruas históricas, sentiu a necessidade de desvincular o que acreditara ser, de alguma forma, a sua história permeada naquelas ruas, naqueles rostos. Ela só conseguia sentir muito forte a voz que por tanto tempo ouviu e que não sabia mais julgar ser sua ilusão, sua verdade, ou a sua razão que implorava ser libertada daquele mundo fantasioso que ela se deixou habitar por tantos anos, chegando ao ponto de se sentir confortável com tudo que ele lhe proporcionava viver, com tudo que ele lhe privava de viver e ver. Ela chegou a se sentir cômoda e imbecilizada na espera do que nunca viria. E foi também entre o que ela escolheu e o que ela pôde viver, que ela se sentiu seguramente forte para derramar sobre si um balde grande de água gelada. Agora, ela pode retornar às ruas, olhar as pessoas e não mais vê-las como parte intrínseca da sua história. Naquela cidade, hoje, ela era turista. Maravilhada pelo novo. Deixou-se ser. Ela agora podia sentir pela primeira vez a doce sensação de conhecer e não mais (re)conhecer rostos, ruas, amores, cidade. Foi assim que ela pôde escolher o destino, e não mais acreditar ser escolhida por ele.




Bandolins


           Poucas pessoas me atingiram, e acho que ninguém assim como você. O que tem feito tudo mudar são as lembranças que eu guardei. Eu poderia ter guardado mais (lembranças), e agora, talvez a memória pudesse me acalmar. Eu queria ter prestado mais atenção nas minhas memórias. Eu queria poder contar tudo, sem perder uma palavra sua, queria lembrar do seu tom de voz, e da sua atenção, queria estar mais, ter falado mais, prometi que falaria nas próximas vezes que nos encontrassemos, no entanto, não falei muito, e mesmo assim, eu lembro que você disse que pouco podia dizer. Que tipo de inquietação me fazia parar você? Eu fazia você parar de falar?
           Não quero ler esse texto um dia, e ler apenas até aqui, eu quero terminar de escrever essa história, mas eu to procurando outras memórias, e estou me perdendo dentro delas. Às vezes, a gente lembra mais do espaço, das coisas ao lado, do que tinha nas mãos enquanto contava aquelas histórias de um dia ser assim como você. Uma palavra que eu lembro de ter escrito, ela me faz lembrar do cheiro que tinha. Sim, tinha um cheiro da fruta que eu comia enquanto escrevia. Engraçado, para lembrar das conversas, eu me lembro da cor da letra, dos textos com vários parágrafos e sem conclusão, lembro das respostas – eu costumava esperar muito por elas. E na maioria das vezes, elas eram seguidas de outros textos, das buscas por você, e de umas poucas palavras, ou de muitas. O que me prende a essas memórias, é lembrar que era bom, era bom sentir assim, de ver você dançando ao som dos bandolins me traz boas lembranças.
         A verdade, bailarina, é que a sua dança continua no salão, e aquela canção durou muitas horas, e foram suficientes para você ter ficado. Só que você não ficou. E as minhas memórias não são mais de você, mas dos quadros de pintores famosos que ficavam atrás de você, da ponta da cocha branca da cama, das pessoas que rodeavam a sala onde eu estava, e do mundo que eu tinha ali, e que era tão somente meu, enquanto estávamos só nós, em uma sala. Essa sala não era sala, e a lembrança do seu rosto é mais clara agora, é clara e eu não posso ver. Saímos das nossas vidas, e certas palavras dormem escondidas enquanto eu procuro o que dizer. As lembranças estão indo. Eu procurei muito por você, mas não existe tempo para o que não foi vivido, e não existe perdão, também. A gente esquece, e deixa ir, mesmo sabendo que está esquecendo.




domingo, 10 de junho de 2012

"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo."


Mata essa ansiedade
que me inunda e não me cala
que caminha pelo meu corpo
corre no meu sangue

Tenho vertigem só de pensar na
não mudança, no que está estático
eu sou explosão de pensamentos
paixão

não contenho meu sorriso
meu pânico, meu despertar

não suporto os atônitos
quero sangue pulsando
olhos vibrando
e o grito

tenho também o meu castigo
minha dor
o tempo, dono de tudo,
nega o que olho tão carinhosamente
e desejo

Estou viva e tenho voz
mas quero que ouça

sinto o sal, o doce e o suor
conquistados com lágrimas e sorrisos
sou sempre protagonista,
mas fico à margem da história

Desejo o salto, o sim, a vida
e não a loucura.



sexta-feira, 8 de junho de 2012


Chico Buarque
Ah, se eu soubesse não andava na rua
Perigos não corria
Não tinha amigos, não bebia, já não ria à toa
Não ia, enfim,
Cruzar contigo jamais

Ah, se eu pudesse te diria, na boa
Não sou mais uma das tais
Não vivo com a cabeça na lua
Nem cantarei: eu te amo demais
Casava com outro, se fosse capaz

Mas acontece que eu saí por aí
E aí...

Ah, se eu soubesse nem olhava a lagoa
Não ia mais à praia
De noite não gingava a saia, não dormia nua
Pobre de mim
Sonhar contigo, jamais

Ah, se eu pudesse não caía na tua
Conversa mole, outra vez
Não dava mole à tua pessoa
Te abandonava prostrado a meus pés
Fugia nos braços de um outro rapaz

Mas acontece que eu sorri para ti
E aí...



quarta-feira, 6 de junho de 2012

machismo mata




"Em muitos países do mundo a garota
Também não tem o direito de ser.
Alguns até costumam fazer
Aquela cruel clitorectomia.

Mas no Brasil ocidental civilizado
Não extraímos uma unha sequer
Porém na psique da mulher
Destruímos a mulher."

Tom Zé

junho






Desejo que tudo o que mais lhe importa floresça.