quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

a voz de dentro


(Yoskay Yamamoto)

Já pensei em sair daqui e descobri que aqui é o meu lugar. Tenho tanto a fazer e tantos para amar – reciprocidade. Em um outro tempo, já olhei para tudo e não me reconheci neles, hoje, são meus. O sopro de voz que gritava, chorou para entender que poderia se calar, silenciar, se acalmar. Hoje se aconchegou e tenta dormir. Sei que ela existe, mas, agora, está onde deve está.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Todo sentimento

Chico Buarque

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar e urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.


domingo, 4 de novembro de 2012

Les façons de se quitter

Há um tipo de comemoração dentro de mim, involuntária, mas que fica vibrando e sorrindo de felicidade, embora esses pensamentos sejam cortados por uma voz da razão que os pune para que não alcance o coração e chegue aos olhos. Respirei fundo durante o dia inteiro, até com uma certa tristeza, pois é tudo que eu não posso saber. É teu, mas devo desconhecê-lo. Fui podada a me pronunciar, por mim mesma, me recuso a dar qualquer passo em tua direção, meus passos agora são de volta. Voltar à distância que me é de direito. Ao teu desconhecimento.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

game over


Penso que acreditar em destino é mesmo uma esperança: o destino trará, o destino unirá, o acaso não existe, pois nada acontece por acaso. Respeitemos a fé. Eu, que tenho tanta fé! Estou pensando que não existe destino, existe escolha. E, claro, todas as consequências dela.
A espera pode ser um tempo incontável. Ela pode levar a vida toda, ou mais. Respeitemos os que esperam. Eu não posso mais...

domingo, 7 de outubro de 2012

Educação precisa de afetividade




Fui buscar a minha referência e veio você.  Amor. É como eu consigo te definir, por mais que muitas outras palavras te vistam muito bem, essa é a que mais te completa. Quase nenhuma criança tem a lembrança do seu primeiro dia no primário, com imagens nítidas, falas, mas eu sim, eu tenho porque foi o primeiro dia que te conheci, digo primeiro, porque depois eu ainda te conheci muitas e muitas vezes. Eu não sabia verbalizar, mas meu mundo tinha mudado naquele dia. Eu conseguia sentir. E você foi me ajudando a me permitir tanta coisa. Eu cresci muito e você pôde ver de perto. E mesmo que ninguém tenha visto e nem entendido, foi você que valorizou a minha primeira tentativa de voo, mesmo eu caindo sem graça no chão. Você viu e me deu segurança suficiente para eu saber que você estaria lá me vendo! E essa força e esse olhar foram a minha segurança para tentar ainda quantas vezes fosse preciso.
A sementinha brotada no coração, hoje, dá frutos e sempre quer voltar para te sorrir. Foi plantada, mas corre pelo mundo. Eu poderia dizer das minhas conquistas físicas, mas a maior é a que eu guardo na alma – uma grande vontade de voar.
A sementinha, as palavrinhas mágicas, o sonho do Pequeno Príncipe, o olhar consciente do aprendizado (hoje, eu sei) não podiam deixar de me lembrar você, tia Márcia. Eles me lembram seus sonhos, suas vontades infinitas, seu olhar amoroso e sua HUMANIDADE!!! Tudo isso não podiam ser menos do que fontes de inspiração para qualquer sonho. Eu lembro, e você sempre me disse o que sou e disse desde que juntei as minhas primeiras letras. Deu lugar a elas e amor pra mim. O que eu queria dizer é que tudo aquilo que você sempre me disse com tanto cuidado, dentro da sua percepção, está crescendo, amadurecendo e começa a fazer sentido. Te amo infinitamente, minha tia Márcia! :')



sábado, 29 de setembro de 2012

essa noite sonhei com você.



Eu lembro que escrevi uma carta evidenciando a realidade dos meus sonhos. E os considerei provas da suposta realidade. Em momentos que minh'alma esvai em passeios, eu te encontro. É assim que sinto. Quando não existem julgamentos, medos, e nem culpa, as almas conseguem transpassar barreiras que o físico não faria jamais – e já provou que não o faz. A consciência nos julga e nos escraviza a nós mesmos. Mas por que tanta insistência? A sensação é maravilhosa, é verdadeira, tem o abraço, o encontro, mas a sensação do meu mundo físico, do dia limpo ao abrir os olhos, da impossibilidade, me desespera. É tanta alegria inconsciente! Tanta leveza! Que a não prova da realidade me coloca em desafio. Tenho apenas o sentir, e é meu. Não preciso de provas. Mas a inquietação do coração, com a lembrança do que foi sentido, pode ser mais cruel do que o verdadeiro encontro.
O que querem dizer os sonhos? É inevitável não me sentir surpresa a cada encontro proporcionado por esta força que desconheço. As respostas são alívios. E eu pensei que jamais voltaria a me sentir assim, mas se existe algum propósito nisso tudo, por que devo conviver com o LIMITE? Apenas repondo dentro de mim – é um pouco de alívio na saudade. 

Por que eles insistem em chegar mesmo quando já não os penso mais? 
Meu mundo inconsciente vive!!! 


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

I choose to use my heart




One day you'll understand...

Tudo é perigoso, divino e maravilhoso!


Enquanto os carros passam rápidos pela minha janela, no meio da correria, em horas que não se pode descansar, naquela hora fora de hora, surge um sorriso de canto de boca, a lembrança daquilo que foi especial demais no momento que devia ser, e não devo tirá-lo de lá. É um passado... e foi tão bonito, tão bonito!! 

sábado, 22 de setembro de 2012

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Dra. Bonequinha de Pano



Tenho um rosto branco pintado de cores
uma capa branca que me faz de super-heroína
de meus pequenos grandes amigos

um jeito diferente e divertido de andar, falar e tocar
é uma pequena boneca... de pano
com pseudo nome de doutora
dizem ser palhaço
ah sim, da alegria!!

É o que contagia
são cores no que é branco
na coisa que tá preta
Diante da rotina
do cenário urgente de dor...
o SORRISO
Com tantas cores há ter alguma que alivie
aí vem o olhar do palhaço amigo
com a inocência que lhe é própria
Colorido de graça, amizade,
esquece-se a dor por um segundo
Cria a esperança na pequena brecha para uma outra lógica
diferente da lógica habitual

Sou o retrato do palhaço
A cor da alegria
A volta da fantasia
O retorno para a vida
A pontinha de esperança

Aquela luz no fim do túnel? É o palhaço no fim do corredor
Hospitalar...
Distribuindo olhares de amor
Dignidade humana e não só fisiológica
Resgatar laços de humanização
Para enxergar o invisível da realidade

Sou palhaça de cor, coração!

domingo, 9 de setembro de 2012

domingo, 2 de setembro de 2012

Nosso tempo



só não diga a tua nova pessoa o que a gente se perfumou por tanto tempo, 
não mexa na nossa bagagem


deixe que ela sozinha, em algum lugar no tempo, tenha sido especial, e estando onde estiver, faça alguma lembrança ser boa.

porque entre tudo o que dissemos, e o que não foi dito, calado,
está nossa história, e mesmo que não esteja aqui, ela continua existindo 
em algum lugar.

Veredas


"Eu não sentia nada. Só uma transformação pesável.

 Muita coisa importante falta nome.” 

Guimarães Rosa

domingo, 26 de agosto de 2012

luxo radioso de sensações





"(...) tinha suspirado, tinha beijado o papel devotadamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!"

O Primo Basílio, de Eça de Queirós.



sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Desenho, Cecília Meireles


Fui morena e magrinha como qualquer polinésia,
e comia mamão, e mirava a flor da goiaba.
E as lágrimas me espiavam, entre os tijolos e as trepadeiras,
e as teias de aranha nas minhas árvores se entrelaçavam

Isso era um lugar de sol e nuvens brancas,
onde as rolas, à tarde, soluçavam mui saudosas...
O eco, burlão, de pedra, ia saltando,
entre vastas mangueiras que choviam ruivas horas.

Os pavões caminhavam tão naturais por meu caminho,
e os pombos tão felizes se alimentavam pelas escadas,
que era desnecessário crescer, pensar, escrever poemas,
pois a vida completa e bela e terna ali já estava.

Como a chuva caía das grossas nuvens, perfumosa!
E o papagaio como ficava sonolento!
O relógio era festa de ouro; e os gatos enigmáticos
fechavam os olhos, quando queriam caçar o tempo.

Vinham morcegos, à noite, picar os sapotis maduros,
e os grandes cães ladravam como nas noites do Império.
Mariposas, jasmins, tinhorões, vaga-lumes
moravam nos jardins sussurrantes e eternos.

E minha avó cantava e cosia.
Cantava canções de mar e de arvoredo, em língua antiga.
E eu sempre acreditei que havia música em seus dedos
e palavras de amor em minha roupa escritas.

Minha vida começa num vergel colorido,
por onde as noites eram só de luar e estrelas.
Levai-me aonde quiserdes! – aprendi com as primaveras
a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira.




21 de agosto: um poema, uma carta linda, e o abraço da minha Mel. 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

vinte e cinco


agosto de 2012

Eu, que dou a mim mesma símbolos, que ilustro histórias com poemas, contos, que canto músicas para me lembrar de um caminho, um alguém. Eu, que enfeito pessoas com frases, palavras, cores... tenho minha vida com cheiro, gosto, som. Eu, que adoro metáforas – sou simbólica. Eu, que dou nome de personagens a amigos, amores, conhecidos, não quero esquecê-los. Eu que os tenho em mosaicos, desenho-os. Eu que amo a parte, que acredito na representação, sei quem é o todo. Eu, que preciso de símbolos para viver, acredito. Eu que tenho fé.



quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Gabriela

(breaking the girl, Yoskay Yamamoto)

Gabriela? Quem é ela?
A Gabi não é novela, não é música, mas poderia ser... na verdade, ela é. Ela é atração. Quando ela está, eu tenho vontade de me calar e só vê-la. Porque é lindo ver tanta expressão. É lindo!
Ela é música na minha vida. Eu consigo ouvi-la contar qualquer história, com o jeito que só ela tem. São os traços físicos que cada um deixa na vida da gente, lembra, Gabi? Falamos disso hoje. Eu sei o jeito que você sorri e o sorriso que você apresenta cada vez que tem uma boa história para contar. Para mim, você é uma contadora de histórias. E como amo te ouvir. Já disse isso, né? Amo as impressões que você tem da vida, e a lição bonita e amorosa que você tira de cada experiência. Nada é tão terrível!!! Ainda que seja, a lição é o mais importante. Você é tão humana, e tão bonita. Você é razão, mas o que te move é o sentir. Você sente, e sente muito. É o que me encanta, e nos aproxima. Sou admiradora, amiga, e você minha confidente. Quanto amor. Quanta certeza. Quanta lucidez! O que eu gostaria de dizer agora, é que eu nunca fui tão sincera em tão poucas palavras, como fui com você. Você é confiança, porto seguro, ousadia. e um universo de amor. Sabe por quê? Porque você é aprendizado com a certeza do erro! A maior surpresa é ver tanta sabedoria aprendendo, ainda. É ver você contar tudo, com ar de aprendiz. Com ar de igualdade. Somos tão iguais, de corações! Amor de admiração, carinho, igualdade!
Quero que você saiba disso. Eu te amo, e o melhor... te admiro muito, e cada dia mais.
Amo você, Gabibs!!!!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

tem a satisfação de estar lúcida



Mania boba de ir até o fim. É que eu não consigo conviver com a dúvida, e não aceito o meio do caminho. Não me mostre a superfície que vou querer entrar. Eu sou assim. Eu insisto, e por insistir, eu convenço. Aquela conversa que o teu orgulho não suportaria permitir, só te fará mais adulto. E daí? Eu não julgo, mas não me tenha como base. Eu prefiro me revirar, cavar o buraco que, às vezes, eu mesma caio, e sujar a cara com aquela possível infantilidade. Sou excessos que fogem de mim, e não tenho vergonha da minha sujeira. Se eu acreditar, eu vou até o fim. Seja lá o que será o fim. Eu sou dos extremos e não é fácil respirar fundo para me equilibrar. Eu necessito do equilíbrio, também. Mas ele não me sustenta. Para isso, eu preciso me ouvir. Ser leal comigo mesma é o que sempre esperei da minha esperança. Ela me leva até o fim... estropiada, machucada, mas viva, mais viva do que nunca. Eu preciso do enfrentamento. Aqueles minutos finais da ligação, em que permaneci sentada, olhando fixo o telefone, ainda reverberam em mim. Eu sempre vou até o fim, mas não torço por ele. O meu desejo depende do diálogo. E a interlocução me coloca a mercê de outros desejos. O vínculo fica por conta da magia do passado que bateu na porta do meu futuro. Ainda bem. Devo agradecer? Já o fiz, de coração. O vínculo é a minha liberdade. As vozes únicas. Frieza dos desconhecidos, você disse! Quem imaginou a sua frieza? Têm coisas que acredito e dou nomes. São minhas, mas passaram por muitos. Voaram muito alto para chegarem em mim. Gratidão – porque você não sabe o que ganhei  naquele dia. Foi de céu, de sol, de mar. Eu rio. Rio. Acenderam a minha liberdade, e ela queria tanto voar. Emoção – porque a vida tem chegadas, mas precisa de despedidas. Despeço! Mas a esperança? A esperança é minha. 



domingo, 5 de agosto de 2012

Ventos de Agosto


Eu sou essa pessoa a quem o vento chama, a que não se recusa a esse final convite, em máquinas de adeus, sem tentação de volta. Todo horizonte é um vasto sopro de incerteza. Eu sou essa pessoa a quem o vento leva: já de horizontes libertada, mas sozinha. Se a Beleza sonhada é maior que a vivente, dizei-me: não quereis ou não sabeis ser sonho? Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga. Pelos mundos do vento, em meus cílios guardadas vão as medidas que separam os abraços. Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina: “Agora és livre, se ainda recordas”.  

Cecília Meireles, Solombra


sábado, 4 de agosto de 2012

Por não estarem distraídos



Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.


Clarice Lispector

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Como me despedir?


Hoje, na minha correria diária, das idas e vindas para todos os cantos, a imagem nítida do que se disse, de repente, desfilou na minha cabeça, com um som próprio que eu mesma dei a ela. Não era sua voz, era a minha. Não conheço mais a sua voz, esqueci o seu nome. De todas as tristezas, a pior foi ter amado tuas migalhas, e ter me entorpecido delas. Independente dos teus julgamentos, joguei meus restos na última viagem pr'aquela cidade. E nessa vida, não me cabe mais isso. A cada lembrança que insiste em rodear – um adeus meu. Estou cansada da contrariedade entre minha mente e coração. Aquela minha fé foi inocente, o fim seria vê-la no chão. Mas eu ainda me revolto, talvez comigo mesma, pois nunca suportei o descaso. Me cansa a importância que dei a pequenos acontecimentos... a pessoas quaisquer. E por mais que eu tenha condições de mudar e me deslocar para lugares que eu quiser, lamento sempre a atenção que pedi para quem não tinha o menor apreço. Lamento o desleixo desses que passaram e a forma como foram embora!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Que o faz-de-conta terminasse assim


"Triste amor que vai morrer 
Por favor, para quê? 
Se um amor igual ao seu 
Nunca vi, não senti 
É preciso compreender 
Sem você 
Vale o quê? 
Tenta entender 
Coisa tão bonita assim 
Não pode ter fim 
Um amor igual ao seu, meu bem 
Tem que ser meu." 



(Triste amor que vai morrer – Elis Regina e Walter Silva) 




Do Rio de Janeiro e seus personagens



Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não era distraída, eu estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade. Não era tour de propriétaire, nada daquilo era meu, nem eu queria. Mas parece-me que me sentia satisfeita com o que via.



(Clarice Lispector, Do Rio de Janeiro e seus personagens)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

“Because you’re a loser, Charlie Brown“

(Peanuts)

Poema em linha reta (Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
(...)


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana 
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste mundo largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?




"Há um charme qualquer em quem se move pela vida cheio de dúvidas, indecisões, questionamentos e incertezas, mais do que com ambição e vaidade. Os brilhos dos ouros encantam alguns, mas não todos. Há gente que percebe ser o passageiro disso tudo e se distrai olhando o horizonte, cheirando o café ou andando na areia úmida. Perder ou ganhar está mais no olhar do outro do que no nosso próprio. Para mim é um vencedor aquele que chora, vacila, teme, cai e corajosamente admite e novamente ri, avança, supera e levanta. A vida é mais verdadeira neles."

terça-feira, 26 de junho de 2012

my dear friend

Yoskay Yamamoto

na hora certa

Às vezes a gente só precisa mesmo é de uma conversa sincera com um amigo carinhoso, aquele que nos quer bem de verdade, para que ele relembre quem a gente é, e do que a gente realmente precisa. É isso!


sempre emocionada com os presentes que a vida me dá.

sábado, 16 de junho de 2012

Ensaio sobre o destino I


         Caminhando por entre ruas históricas, sentiu a necessidade de desvincular o que acreditara ser, de alguma forma, a sua história permeada naquelas ruas, naqueles rostos. Ela só conseguia sentir muito forte a voz que por tanto tempo ouviu e que não sabia mais julgar ser sua ilusão, sua verdade, ou a sua razão que implorava ser libertada daquele mundo fantasioso que ela se deixou habitar por tantos anos, chegando ao ponto de se sentir confortável com tudo que ele lhe proporcionava viver, com tudo que ele lhe privava de viver e ver. Ela chegou a se sentir cômoda e imbecilizada na espera do que nunca viria. E foi também entre o que ela escolheu e o que ela pôde viver, que ela se sentiu seguramente forte para derramar sobre si um balde grande de água gelada. Agora, ela pode retornar às ruas, olhar as pessoas e não mais vê-las como parte intrínseca da sua história. Naquela cidade, hoje, ela era turista. Maravilhada pelo novo. Deixou-se ser. Ela agora podia sentir pela primeira vez a doce sensação de conhecer e não mais (re)conhecer rostos, ruas, amores, cidade. Foi assim que ela pôde escolher o destino, e não mais acreditar ser escolhida por ele.




Bandolins


           Poucas pessoas me atingiram, e acho que ninguém assim como você. O que tem feito tudo mudar são as lembranças que eu guardei. Eu poderia ter guardado mais (lembranças), e agora, talvez a memória pudesse me acalmar. Eu queria ter prestado mais atenção nas minhas memórias. Eu queria poder contar tudo, sem perder uma palavra sua, queria lembrar do seu tom de voz, e da sua atenção, queria estar mais, ter falado mais, prometi que falaria nas próximas vezes que nos encontrassemos, no entanto, não falei muito, e mesmo assim, eu lembro que você disse que pouco podia dizer. Que tipo de inquietação me fazia parar você? Eu fazia você parar de falar?
           Não quero ler esse texto um dia, e ler apenas até aqui, eu quero terminar de escrever essa história, mas eu to procurando outras memórias, e estou me perdendo dentro delas. Às vezes, a gente lembra mais do espaço, das coisas ao lado, do que tinha nas mãos enquanto contava aquelas histórias de um dia ser assim como você. Uma palavra que eu lembro de ter escrito, ela me faz lembrar do cheiro que tinha. Sim, tinha um cheiro da fruta que eu comia enquanto escrevia. Engraçado, para lembrar das conversas, eu me lembro da cor da letra, dos textos com vários parágrafos e sem conclusão, lembro das respostas – eu costumava esperar muito por elas. E na maioria das vezes, elas eram seguidas de outros textos, das buscas por você, e de umas poucas palavras, ou de muitas. O que me prende a essas memórias, é lembrar que era bom, era bom sentir assim, de ver você dançando ao som dos bandolins me traz boas lembranças.
         A verdade, bailarina, é que a sua dança continua no salão, e aquela canção durou muitas horas, e foram suficientes para você ter ficado. Só que você não ficou. E as minhas memórias não são mais de você, mas dos quadros de pintores famosos que ficavam atrás de você, da ponta da cocha branca da cama, das pessoas que rodeavam a sala onde eu estava, e do mundo que eu tinha ali, e que era tão somente meu, enquanto estávamos só nós, em uma sala. Essa sala não era sala, e a lembrança do seu rosto é mais clara agora, é clara e eu não posso ver. Saímos das nossas vidas, e certas palavras dormem escondidas enquanto eu procuro o que dizer. As lembranças estão indo. Eu procurei muito por você, mas não existe tempo para o que não foi vivido, e não existe perdão, também. A gente esquece, e deixa ir, mesmo sabendo que está esquecendo.




domingo, 10 de junho de 2012

"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo."


Mata essa ansiedade
que me inunda e não me cala
que caminha pelo meu corpo
corre no meu sangue

Tenho vertigem só de pensar na
não mudança, no que está estático
eu sou explosão de pensamentos
paixão

não contenho meu sorriso
meu pânico, meu despertar

não suporto os atônitos
quero sangue pulsando
olhos vibrando
e o grito

tenho também o meu castigo
minha dor
o tempo, dono de tudo,
nega o que olho tão carinhosamente
e desejo

Estou viva e tenho voz
mas quero que ouça

sinto o sal, o doce e o suor
conquistados com lágrimas e sorrisos
sou sempre protagonista,
mas fico à margem da história

Desejo o salto, o sim, a vida
e não a loucura.



sexta-feira, 8 de junho de 2012


Chico Buarque
Ah, se eu soubesse não andava na rua
Perigos não corria
Não tinha amigos, não bebia, já não ria à toa
Não ia, enfim,
Cruzar contigo jamais

Ah, se eu pudesse te diria, na boa
Não sou mais uma das tais
Não vivo com a cabeça na lua
Nem cantarei: eu te amo demais
Casava com outro, se fosse capaz

Mas acontece que eu saí por aí
E aí...

Ah, se eu soubesse nem olhava a lagoa
Não ia mais à praia
De noite não gingava a saia, não dormia nua
Pobre de mim
Sonhar contigo, jamais

Ah, se eu pudesse não caía na tua
Conversa mole, outra vez
Não dava mole à tua pessoa
Te abandonava prostrado a meus pés
Fugia nos braços de um outro rapaz

Mas acontece que eu sorri para ti
E aí...



quarta-feira, 6 de junho de 2012

machismo mata




"Em muitos países do mundo a garota
Também não tem o direito de ser.
Alguns até costumam fazer
Aquela cruel clitorectomia.

Mas no Brasil ocidental civilizado
Não extraímos uma unha sequer
Porém na psique da mulher
Destruímos a mulher."

Tom Zé

junho






Desejo que tudo o que mais lhe importa floresça.



quarta-feira, 23 de maio de 2012

domingo, 13 de maio de 2012

assumo minha solidão



Minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade de solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo minha solidão…


Clarice Lispector

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Jogando o meu corpo no mundo





Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto (...)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

felicidade se acha em horinhas de descuido




É no olhar, sobretudo, que a amizade se confirma. É no jeito de olhar que nos reconhecemos no primeiro momento, nós, amigos recentes de longas datas. Isso porque amigo tem esse olhar bom: ele nos olha como se realmente quisesse nos ver, sem nenhum outro interesse que não seja a oportunidade boa e rara de partilhar amizade. Ele nos vê e permanece ao nosso lado, esse conforto que palavra alguma é capaz de traduzir. Esse detalhe grandioso que faz toda a mágica acontecer, porque amar é também a arte de cuidar com os olhos.


Ana Jácomo

domingo, 8 de abril de 2012


Ma petite Amélie,


Tu as aimé la photo? C'est comme notres rêves en Provence? ;) Tu sais, les jours sont vites. J'ai besoin que tu crois cela. J'attends avec impatience le jour que nous serons ensemble de nouveau. Pour le moment, tu peux continuer à envoyer message pour me rester tranquille. 

Tu me manques beaucoup.
with love
your Amélie

domingo, 1 de abril de 2012

Le bout des doigts





Nous ne sommes que deux étranges
Mais depuis ce moment-là, je veux que tu t'accroches à moi
Tout qui s'est passé ont été seulement grace à nos regards
Ton regard dans mon regard
Ta séduction est le mystère de mon désir
Il faudra bien que tu m'avances pour me perdre dans tes bras
Être seulement un corps, je suis d'accord!
La danse de notre corps est un jeu que j'ai aimé faire
Je veux entendre nos bonnes raisons
C'est tout nouveau, c'est une passion
Immature
Nos bouches se touchent, rien de secret
Mon jeu est clair, parce que je le déteste.




Je suis excessive




"Je suis excessive,
J'aime quand ça désaxe,
Quand tout accélère,
Moi, je reste relaxe
Je suis excessive,
Quand tout explose,
Quand la vie s'exhibe,
C'est une transe exquise


Je suis excessive,
Excessivement gaie, excessivement triste,
C'est là que j'existe.
Mmmm, pas d'excuse! Pas d'excuse!"



quarta-feira, 28 de março de 2012

Liberte-se


Despediu-se do que viveu sozinha. Pela primeira vez, seguiu sem que nada lhe fizesse falta. Nem faltasse. Era engolir a seco e seguir. Seguiu. Não existe olhar para trás. Não existe volta. Nem vontade de explicações. O que não foi dito, que fique no não dito. E o que foi dito demais, que transborde em outras águas bem longe daqui. Vá! Já é chegada a hora! Gratidão com gratidão! ADEUS, ADEUS!



 ils sont libres