domingo, 20 de novembro de 2011

me vejo chegar



para a minha cara no espelho eu digo o que eu não disse
na tua
eu rasgo o verbo, aponto o dedo, e levanto o rosto
choro, sorrio, e não tenho limites para minha dramaticidade
eu dissimulo
para a minha cara no espelho eu digo o que me incomoda
cuspo o que engoli com muito mais intensidade que entrou
nesse momento, eu gosto da temperatura e gosto que meu rosto vai tomando
eu sinto a cena
lágrima, suor, calor
eu gosto do meu rosto quente, com olhar certo para o centro da minha imagem
sou eu, antes de ser você
eu digo com clareza, eu me assumo, não me pontuo, e cuspo felicidades
o diálogo é enlouquecedor e posso morrer de tanta satisfação
eu não sou sensata, eu não me acalmo, e não vivo do que não for meu
aproximo de mim aceitando meus gestos
inquietos e exatos
me vejo chegar de dentro no reflexo no espelho
no meu rosto molhado e quente
eu assumo minhas lágrimas, uma a uma
meu coração acelerado, e minhas vontades
infinitas vontades...



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