sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Das palavras não ditas.

Baixar a guarda, deixar que os espaços diminuam, pode ser pior do que gritar a sua vontade. Os espaços diminuem, a admiração, também. Não lutar é pior do que respeitar o silêncio do outro. Não gritar os seus sentimentos dói muito. Dói hoje e, provavelmente, vai doer diariamente. Tenho aprendido na prática a não deixar mal-entendidos. Mas como dar conta de todos? Uma vez me disseram em uma conversa que rodeava esse assunto, que é impossível ter bola de cristal. Não adivinhamos pensamentos, sentimentos, mal-entendidos. Mas você já parou pra pensar como é difícil se confrontar com alguém? "Senta aqui, quero conversar com você!". A parte mais sentida, mais disposta, vai se oferecer a isso, a outra não. Ou o contrário. Eu já fui as duas partes. Eu já quis muito uma conversa que nunca veio. E já evitei muitas outras. O que não é falado, não se materializa. E não existe, então? É bom deixar a poeira baixar, assentar os nervos, o sentimento. É bom mesmo? Eu também já deixei a poeira baixar, a dor passar, e nunca mais voltei a me sentir confortável na presença de quem, outrora, eu gostava tanto. Nunca conseguimos recuperar o que tinhamos antes, e a convivência, as trocas de algumas palavras eram mais desgastantes do que prazerosas. O que não é dito pode ir embora sozinho com o tempo. Mas quem sustenta esse tempo?



3 comentários:

Melina disse...

Ju, você escreveu exatamente o que eu estou sentindo. Quero o confronto, a conversa, mas não sou correspondida. Essa sensação de desconforto perto de quem a gente tem tanto carinho e cuja companhia sempre foi essencial é angustiante.

Bibi disse...

Ai Juju, quantas vezes ja senti isso e tive as mesmas duvidas!A vida é cruel às vezes...

Kika disse...

"Tenho aprendido na prática a não deixar mal-entendidos." Parece que vc contou um pedacinho da minha vida ai! Hj, o que mais quero é uma conversa boa com quem me faz bem! :)