sábado, 23 de julho de 2011

"I will write peace on your wings and you will fly all over the world"


Enquanto preparava seu presente, sentada em um banco da universidade nas primeiras horas da manhã, um homem, também estudante e já conhecido na universidade, se aproximou, e pediu para que pudesse mostrar o seu trabalho. Ele confeccionava dobraduras, origamis e os vendia por preços simbólicos. Em anos anteriores, quando ainda não era estudante alí, recebi da minhã irmã uma dessas dobraduras feita por ele. Com uma pequena folha pedi que fizesse alguma coisa bonita, ele fez um pássaro. Sabe, o nome desse pássaro é TSURU. Dizem que traz sorte, felicidade e saúde. E que cada um tsuru é uma oração e o desejo de milhares pela paz.

No meio das folhas bonitas e coloridas que eu tinha nas mãos, do embrulho que desejava fazer, e do livro que tinha um sentido afetivo, o TSURU foi a surpresa, o não planejado que levou até você o sentido de tudo o que sempre desejei. Foi o detalhe, o improviso mais bonito.

tuas buscas



sexta-feira, 22 de julho de 2011

Cruel e doce, simultaneamente.




Eu ainda vejo rosa, amor e sol. E não posso dizer da imensidão dessas palavras.

Meus cinco anos.



A pessoa que você quer ser, existe. Hoje eu acho que esta lembrança deve permanecer aqui para me lembrar, que em alguns momentos, a gente volta a abraçar nossas memórias.

Meu pai contava histórias para mim na rede todos os dias à noite antes de dormir. Era um ritual de amor. Eu o chamava e íamos, eu e ele, em direção a rede que ficava fora da casa, na parte da frente. A brisa que corria ao redor das árvores que enfeitavam a casa está ainda na minha memória. Tenho memória de cheiros. A minha casa não tinha muros, tinha árvores. Juntas, uma ao lado da outra, davam a sensação de proteção, mas não mais do que a presença do meu pai. Proteção, era essa a sensação que eu tinha ao ir para o colo de meu pai na rede para ouvir mais uma história. A escolha da leitura era feita por nós, mas muito mais espontaneamente por meu pai, que se enchia de orgulho ao escolher o livro que seria lido, e principalmente, ao escolher Monteiro Lobato e as histórias do Sítio do Pica-pau Amarelo. Meu pai me contava histórias naturalmente, elas brotavam docemente para fazer uma caçoada, ou divertidas rimas de suas memórias de nordestino. Meu pai é um menino. Ele ria como um menino. Pelas gargalhadas gostosas e um tanto inocentes, pela voz risonha de meu pai ao contar as aventuras de Pedrinho e os sacis, não teimo em dizer que logo minha história preferida também se tornou essa. Eu a escolhi várias vezes, repetidamente. Ríamos. Eu me lembro bem do desenho que estampava a página, todas ilustrações que permeiam meu crescimento, entram nos meus sonhos. A maioria dessas lembranças é do colo confortável de meu pai, com sua voz de narrador aplicado que seguia o caminho certo do meu coração. Ainda hoje, quando visito as caixas de livros que estão guardadas em minha casa, olho com saudade a coleção dessa obra de Monteiro Lobato que se tornou a lembrança do vínculo que tinha com meu pai. Minhas lembranças são saudade. São o balanço da rede... que balançava num ritmo lento. Meu pai não gostava que balançasse rápido e tudo seguia esse mesmo movimento. Naquele ritmo, construímos amor, confiança, e a paz que jamais voltarei a ter. Meu pai tem um coração sensível. Ele me ensinou a amar os animais e as pessoas, com exemplos. Meu pai, aquele querido e menino, que contava histórias para eu dormir, está guardado dentro de muitas dobras que o vento fez. Meu pai guarda sua pena na inocência. Está guardada nele a doçura, eu não me esqueço. Nunca mais esquecerei da voz forte que cantava cantigas de ninar... a maioria inventadas, e que me dava nome de flor. Brincava com minha fisionomia, meu jeito esperto, magro e doce. Eu corredeira no caminho da capoeira. Flor de jerimum sonhando acordada os sonhos de amor.




Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais
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domingo, 3 de julho de 2011

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com uma nhaca na cabeça



As pessoas não falam o que sentem. Elas deixam de falar dos seus sentimentos, não por mistério, como gostamos de pensar, mas porque não sabem o que sentem, não se conhecem. E a gente ainda acha isso um encanto.