quinta-feira, 8 de abril de 2010

Le petit monde.


Andava sempre em silêncio. Tão profundo quanto as palavras que se desprendiam, mudas. Não carregava tantos sentidos. Cultivava-se sorrisos, olhares - que o dia lhe roubava com tanta pouca graça. O amor chega depressa, dizem. Ele tem pressa. Podiam ver, deixava suas marcas. Enchia as ruas, os caminhos, o coração dos transeuntes. Tanto pra se dar. E o tempo era cedo demais pra perceber. Ainda viam andando solto, com a paz levada. Muitos nem o reconhecem, insistem dando lhe nomes. Diz, o tempo é meu. Começa de dentro e recolhe lembranças. Leva meu endereço na mão, e anda sem esquecer. Entende de sonhos. Acredita. Me rodeia. Só mais tarde, então, entenderia. É preciso doar o coração inteiro, não existem restos. A paz só é conquistada se vivida. Para abandonar a dor, é preciso vivê-la. Pedia-se: prometa não demorar muito pra voltar, e também nunca mais fazer promessas.




Jogo de dignidade e bem-estar, os limites existem.

Juliana Freitas

Um comentário:

Nath disse...

Ultrapassando fronteiras.
Não pare.
Esse texto é o meu preferido.