quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

ao mundo



Tem gente que entra na nossa vida de forma providencial e se encaixa naquela história que gosto de imaginar: surpresas que Deus embrulha pra presente e nos envia no anonimato. Surpresas que só sabemos de onde vêm porque chegam com o cheiro dele no papel. Acho maravilhoso perceber o quanto algumas vidas interagem com a nossa de um jeito tão mágico e bonito. Os milagres existem para quem tem olhos que sabem ver a sabedoria e a ludicidade amorosa próprias do que é divino. Do que transcende. Do que escapole da nossa lógica tantas vezes sem coração. Todo encontro que verdadeiramente nos toca é uma espécie de milagre num mundo de bilhões de seres humanos. Algumas pessoas a gente nem imaginava que existiam, mas, meu Deus, que agrado bom é para a alma descobrir que vivem. Que estão por aqui conosco. Pessoas que fazem muita diferença na nossa jornada, com as quais trocamos figurinhas raras para o nosso álbum.



Ana Jácomo

domingo, 5 de dezembro de 2010

amor.

Como chegar para alguém e dizer de repente eu te amo para depois explicar que esse amor independia de qualquer solicitação, que lhe bastava amar, como uma coisa que só por ser sentida e formulada se completa e se cumpre? Pois se ninguém aceitaria ser objeto de amor sem exigências...

Caio F. Abreu – Inventário do Ir-remediável

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

.

(...) a vida a gente não resolve assim de uma só manobra.



– Eu nunca mais quero sair de perto de você, sabe?
– Por quê?
– Porque você é a melhor pessoa do mundo. Ninguém judia de mim quando estou perto de você e sinto um sol de felicidade dentro do meu coração.


O Meu Pé de Laranja Lima, José Mauro de Vasconcelos

you'll be in my heart


Vai dizer que nossas preces não alcançaram o céu (...)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Lembranças dos meus poemas

Minha homenagem a meu avô, poeta e amigo de Lampião.


Lembranças dos meus poemas
Autor:
Romualdo Martins de Oliveira

Sinto-me alegre e contente
Com as terras deste País
Da própria vida não minto
Romualdo sustenta o que diz
E por amor ao pai eterno
Sofrendo vivo feliz.

O mal eu sei que não fiz
A vida eu sei como é
Primeiro Deus fez o homem
Tirou uma costela e fez a mulher
Depois deu a liberdade
Cada um faz o que quer.

Deus pai é nossa fé
Fez o mundo e a criação
Fez a fruta proibida
Que deu o pecado a Adão
Depois fez ainda o filho
Pra salvar o cristão.

Acabou-se a religião
Vive o povo num desespero
Um nasce para ser fiel
Outro nasce para ser cangaceiro
Um nasce escuro, outro claro
Um é bonito, outro é grosseiro.

Mas tem pobre brasileiro
Lutando por um anel
Tem rico e tem mendigo
Tem sério e tem risível
Outros vivem como eu,
Na ciranda do cordel

Não sou poeta menestrel
Porém eu quero mostrar
Meu trabalho poético
Para o povo apreciar
As poesias cordelistas
Muito simples e popular.

Eu não sei nem calcular
Quando esticarem o cordão
Para pendurar os folhetos
E vender à população
Mostrar que a poesia
Nasceu foi do coração.
(...)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

E eis que a mão que eu segurava me abandonou.
Não, não. Eu é que larguei a mão porque agora
tenho que ir sozinha.

C.L

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

tão clara

- Olha para mim e me ama. Não: tu olhas para ti e te amas. É o que está certo.

Clarice Lispector

domingo, 8 de agosto de 2010

Le petit prince

Ah!, pequeno príncipe, assim eu comecei a compreender, pouco a pouco, os segredos da tua triste vidinha. Durante muito tempo não tiveste outra distração a não ser a doçura do pôr do sol. Aprendi esse novo detalhe quando me disseste, na manhã do quarto dia:
– Gosto muito de pôr do sol. Vamos ver um...
– Mas é preciso esperar...
– Esperar o quê?
– Esperar que o sol se ponha.
Tu fizeste um ar de surpresa e, logo depois, riste de ti mesmo. Disseste-me:
– Eu imagino sempre estar em casa.




De fato. Quando é meio-dia nos Estados Unidos, o sol, todo mundo sabe, está se pondo na frança. Bastaria poder ir à frança num minuto para assistir ao pôr do sol. Infelizmente, a França é longe demais. Mas no teu pequeno planeta, bastava apenas recuar um pouco a cadeira. E, assim, contemplavas o crepúsculo todas as vezes que desejavas...
– Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e quatro vezes!
E logo depois acrescentaste:
– Quando a gente está muito triste, gosta de admirar o pôr do sol...
– Estavas tão triste assim no dia em que contemplaste os quarenta e quatro?
Mas o principezinho não respondeu.


Antoine de Saint-Exupéry

quarta-feira, 21 de julho de 2010

segunda-feira, 31 de maio de 2010


Se soubesses da solidão desses meus primeiros passos... C.L
-

Mas se eu gritasse uma só vez que fosse, talvez nunca mais pudesse parar. Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber; mas só enquanto eu não assustar ninguém por ter saído dos regulamentos. Mas se souberem, assustam-se, nós que guardamos o grito em segredo inviolável. Se eu der o grito de alarme de estar viva, em mudez e dureza me arrastarão pois arrastam os que saem para fora do mundo possível, o ser excepcional é arrastado, o ser gigante.

Com reverência eu temia a existência do mundo para mim. C.L



-



Mas chegará o instante em que me darás a mão, não mais por solidão, mas como eu agora: por amor. Como eu, não terás medo de agregar-te à extrema doçura enérgica do Deus. Solidão é ter apenas o destino humano.

E solidão é não precisar. Não precisar deixa um humano muito só.
C.L

"Só nas minhas noites é que o mundo se resolvia lentamente. Só que, aquilo que acontecia no escuro da própria noite, também acontecia ao mesmo tempo nas minhas próprias entranhas, e o meu escuro não se diferenciava do escuro de fora, e de manhã, ao abrir os olhos, o mundo continuava sendo uma superfície: a vida secreta da noite em breve se reduzia na boca ao gosto de um pesadelo que some. Mas agora a vida estava acontecendo de dia. Inegável e para ser vista. A menos que eu desviasse os olhos." C.L





"Eu, que chamava de amor a minha esperança de amor." C.L

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Le petit monde.


Andava sempre em silêncio. Tão profundo quanto as palavras que se desprendiam, mudas. Não carregava tantos sentidos. Cultivava-se sorrisos, olhares - que o dia lhe roubava com tanta pouca graça. O amor chega depressa, dizem. Ele tem pressa. Podiam ver, deixava suas marcas. Enchia as ruas, os caminhos, o coração dos transeuntes. Tanto pra se dar. E o tempo era cedo demais pra perceber. Ainda viam andando solto, com a paz levada. Muitos nem o reconhecem, insistem dando lhe nomes. Diz, o tempo é meu. Começa de dentro e recolhe lembranças. Leva meu endereço na mão, e anda sem esquecer. Entende de sonhos. Acredita. Me rodeia. Só mais tarde, então, entenderia. É preciso doar o coração inteiro, não existem restos. A paz só é conquistada se vivida. Para abandonar a dor, é preciso vivê-la. Pedia-se: prometa não demorar muito pra voltar, e também nunca mais fazer promessas.




Jogo de dignidade e bem-estar, os limites existem.

Juliana Freitas

quinta-feira, 18 de março de 2010

domingo, 14 de março de 2010

Los sueños olvidados

Helena soñó que se había dejado los sueños olvidados
en una isla.
Claribel Alegría recogía los sueños, los ataba con una
cinta y los guardaba bien guardados. Pero los niños de
la casa descubrían el escondite y querían ponerse los
sueños de Helena, y Claribel enojada les decía;
- Eso no se toca.
Entonces Claribel llamaba a Helena por teléfono y le
preguntaba:
- ¿Qué hago con tus sueños?



Eduardo Galeano (El libro de los abrazos)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010