domingo, 25 de outubro de 2009

sábado, 3 de outubro de 2009

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Foi com o tempo que eu entendi, até para as peças que rodam soltas atingindo qualquer espaço dentro de nós, é preciso dar tempo, então a gente tem de deixar que elas encontrem qualquer ferida, qualquer coisa que nos atinja, que nos remexa, que seja apenas distração, ou o silêncio.


(Juliana Freitas)

O anjo mais velho

Enquanto houver você do outro lado, aqui do outro eu consigo me orientar. A cena repete, a cena se inverte, enchendo a minh'alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar. Tua palavra, tua história, tua verdade fazendo escola e a tua ausência fazendo silêncio em todo lugar. Metade de mim agora é assim. De um lado a poesia, o verbo, a saudade. Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim. E o fim é belo, incerto. Depende de como você vê o novo, o credo, a fé que você deposita em você e só. Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de você. Só enquanto eu respirar.

O Teatro Mágico

quinta-feira, 1 de outubro de 2009



Dia desses, eu não estarei mais aqui, eu preciso sair de onde estou, e eu sinto que há esperanças. Eu já não suporto olhar tua ausência e me ver rodeada de você. Tudo em mim tem um sentido que me guia, muitas vezes eu não reconheço o teu jogo, e me irrita saber. Eu não sei jogar, e se eu apostar, eu perco sempre. Eu não ligo de perder, é que na maioria das vezes eu permaneço no jogo, e ele já acabou e eu já perdi. Estranho, né? Aos poucos vai perdendo a graça, e a brincadeira não tem mais sentido. Só que o destino zomba bem de nós. Ao contrário de você, eu não acredito mais em enganos. Desencontro? Não sei, acho que ando desencontrada, e muitas vezes tenho a impressão de que cheguei atrasada, o que me faz pensar que eu deveria encontrar alguém, que eu não vi. Dizer o que eu não disse, ou calar o que eu já falei. Eu me atraso, e nem sei quanto de mim se foi, e quanto eu fiquei sem, quanta felicidade desencontrada, quanto amor contido, e que paz eu deixo de ter, só porque não passei naquele caminho, naquela rua, naquele horário. Vai ver que tudo isso traz coisa boa, prefiro pensar assim. Desencontrar então pode ser bom. Pode ser que seja bom você não ter ido ao meu encontro naquela viagem, que custou minha loucura, minha ansiedade, e um pouco do que eu acreditava. Não gosto de dizer que você tem razão, porque tudo aquilo me deixou no chão. Eu fui muito mais que você, eu fiz o que de nós, só você poderia, e ainda suportei o tempo... eu voltei como nunca pensei. Mas de tudo, o que suja em mim, é o gosto amargo de você nunca ter lutado por nós. O que dói é a saudade do que se perdeu com meu atraso. Prefiro pensar que a culpa não é sua, e me perco lembrando do que vivi, e mais ainda do que eu não vivi, do que se foi. Nunca amamos a tempo, você não pode ir, e eu ainda te esperei naquele aeroporto. Isso tudo traz a memória de coisas que não sei, que desconheço, porque nunca vivi, mas que estão em mim... as suas decisões que desabaram em mim. Eu sempre esperei por tuas respostas, e elas sempre chegaram levando o que eu tinha nas mãos. Nunca pensou no que poderíamos ter sido, se pudessemos ser? Pelos atrasos, atrasamos uma vida. O que me traz aqui de pé, é porque eu acredito, eu acredito muito, e sempre foi difícil te ver partindo.


Hoje eu vi que você foi bem (...)
Já que eu não precisei saber que deu tudo certo, respeito tuas verdades.


(Juliana Freitas)







Deixa tudo que eu não disse, mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente, mas eu pensei que havia

(Oswaldo Montenegro)
rosa de sol,
tua semente se foi muito cedo
e brotou para dentro
filha do sol,
depois daquele dia,
vc é o silêncio mais aflito
a dor mais antiga
caminha junto ao coração.


é o teu silêncio nos meus olhos
o teu desenho de felicidade
a tua resposta de vida
a minha rosa
sou eu, sendo tão você
vindo tão de você.



é fácil reconhecer tua voz.