sexta-feira, 24 de julho de 2009

a janela (entre)aberta




Essa mistura de boca amarga e mãos vazias
tem feito de mim um corpo só, os passos que dou
são de um corpo de pé
os ombros que caiam, hoje insitem em levantar... tenho olhos firmes
e vejo lugares que antes eram sombras.
tenho fechado muitas vezes a porta de minha casa, medo ainda.
mas tenho feito os pássaros cantar, ainda que só pra mim
é o meu jeito de viver, de (sobre)viver.
a música que toca agora, eu danço.
eu danço na sala de poucos móveis,
o chão limpo reflete as marcas do movimento de meus pés
cortinas de panos pendurados, da janela do corredor,
agora aberta
seguem o ritmo do vento que entra.
e no quarto, de uma cama só,
eu rompo os dias e noites
sonho com cada movimento a mais de meu corpo
todo o resto é vazio.


e ainda que duvide
tenho leveza nos pés
e corro por entre os cantos de minha solidão
e ao girar por entre o vazio que me preenche
é quando me sinto mais protegida
e ainda que o vazio de dentro possa me cortar,
a solidão podre dos grupos que estão lá fora, provocaria em mim
mais do que cortes
me destruiriam, dia-a-dia, com a (falsa) sensação de se ter.





Quando chega a noite, eu espero pouco.
Noite é quando a gente vence o dia.


era um domingo, e por medo, ninguém quer cuidar da sua dor.

tudo isso porque
uma tentativa de alivio de um, era uma culpa a mais pro outro.


- vc não tem vindo mais?

- preferi ficar mais longe,
vc insistia em dizer aquelas coisas.

- me perdoe, eu estava muito infeliz!

.

(Juliana Freitas)

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