sábado, 25 de abril de 2009

De todas as maneiras




Era íntima de mim. Podia até dizer que entrou pela porta de dentro, sentou-se e me acompanha até hoje. Não sei dizer se nascemos juntas, ou se eu já existia quando ela chegou. Ela mora dentro de mim. Por muito tempo era só o seu silêncio que eu podia ouvir. De alguma forma misteriosa, ela sempre me avisava da sua presença, era um jeito de me fazer lembrá-la. Posso dizer que convivemos pacificamente por muitos anos.
[eu não a entendia, e a deixava ficar]

Ela é daquelas marcas que não se fecham.

Que a gente carrega, que não se fecha, e passa a ser.
Eu chamo de milagre.

[Juliana Freitas]
Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar
Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás.
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava
Jamais

(A moça do sonho - Composição: Chico Buarque / Edu Lobo)






Preservar...
Eu queria preservar isso que tem aqui próximo de mim. Parece que se eu fechar bem os olhos, a boca, a respiração, eu consigo manter você aqui, ou pelo menos, toda a diferença e mudança que você fez em mim. E preservando as lembranças, assim como que sufocando, posso prolongar a minha espera, e te dar tempo.
Como se tudo pudesse acabar a qualquer momento, eu preservo. Eu corro pra fechar as janelas, a porta, e todas as fretas por onde as lembranças possam escapar. Eu apago as luzes para adormecê-las.


Eu queria que tivesse ficado, que tivesse tentado.


Juliana Freitas
-







"Só vou perguntar porque você se foi, se sabia que haveria uma distância,
e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo
que construiu junto.
E esquece sabendo que está esquecendo."

Caio F. Abreu


para sonhar.


um segundo
apertar os olhos
e sentir forte
uma pontada no peito
um alívio bom
de um segundo para sonhar.

no fim,
um sorriso doce
e um desejo
de que tudo der certo.
[Juliana Freitas]

segunda-feira, 20 de abril de 2009

"Agora já passa da hora, tá lindo lá fora, larga a minha mão, solta as unhas do meu coração..."

De todas as maneiras (Chico Buarque)



-

não pode esperar.

e foi um vento de esperança
que bateu minha porta
eu não sabia por isso não lhe disse nada
pensei que teria tempo
de sentar, se ajeitar, sentir o gosto do descanso
mas como todo vento que balança
chegou, me balançou
e se foi.
era uma esperança de amor.
E vem depressa, passa como passa...
o pássaro.


[Juliana Freitas]

. Devaneios meus .


Decidi tirar meus textos da gaveta.

sábado, 18 de abril de 2009

a tua rosa.



"Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Tu seras pour moi unique au monde. Je serai pour toi unique au monde... Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música.Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou (...)Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.(...) Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa. Foi o tempo que dedicaste a tua rosa que fez tua rosa tão importante."


Le Petit Prince (Antoine de Saint-Exupéry)