quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

I hope life treat you kind
And I hope you'll have
All you dreamed of.
and I do wish you joy
And happiness.
But above all this, I wish you love.


(WHITNEY HOUSTON - I Will Always Love You)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

às vezes um botão.



(...) Pois de tudo fica um pouco. Fica um pouco de teu queixo no queixo de tua filha. De teu áspero silêncio um pouco ficou, um pouco nos muros zangados, nas folhas, mudas, que sobem. Ficou um pouco de tudo no pires de porcelana, dragão partido, flor branca, ficou um pouco de ruga na vossa testa, retrato. E de tudo fica um pouco. Oh abre os vidros de loção e abafa o insuportável mau cheiro da memória. (...)


Carlos Drummond de Andrade - Resíduo





terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Gentileza gera Gentileza



Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza

amor palavra que liberta, já dizia o profeta!
(Marisa Monte)

sábado, 5 de dezembro de 2009

Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros.


Caio F. Abreu

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mire veja:




"o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou."


Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas)

sábado, 21 de novembro de 2009

uma é o silêncio da outra


“Perdi alguma coisa que era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.”

Clarice Lispector (A paixão segundo G.H.)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

abrem-se janelas, é a luz do sol!

Por eu acreditar que você acredita; por tua vontade de vida; por tua parte inteira; por tuas mãos que podem tudo; por teu brilho legítimo; por alcançar tuas distâncias; por teu amor que sorri; por teus sonhos famintos; por tua esperança e busca de todo dia; por teu coração inquieto; por tua força; e por tudo que fica, um pouco, um pouco do teu sol, na rosa da tua filha.


"Vou te dar de presente uma coisa.
É assim: Borboleta é pétala que voa."
C.L


domingo, 25 de outubro de 2009

sábado, 3 de outubro de 2009

.

Foi com o tempo que eu entendi, até para as peças que rodam soltas atingindo qualquer espaço dentro de nós, é preciso dar tempo, então a gente tem de deixar que elas encontrem qualquer ferida, qualquer coisa que nos atinja, que nos remexa, que seja apenas distração, ou o silêncio.


(Juliana Freitas)

O anjo mais velho

Enquanto houver você do outro lado, aqui do outro eu consigo me orientar. A cena repete, a cena se inverte, enchendo a minh'alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar. Tua palavra, tua história, tua verdade fazendo escola e a tua ausência fazendo silêncio em todo lugar. Metade de mim agora é assim. De um lado a poesia, o verbo, a saudade. Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim. E o fim é belo, incerto. Depende de como você vê o novo, o credo, a fé que você deposita em você e só. Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de você. Só enquanto eu respirar.

O Teatro Mágico

quinta-feira, 1 de outubro de 2009



Dia desses, eu não estarei mais aqui, eu preciso sair de onde estou, e eu sinto que há esperanças. Eu já não suporto olhar tua ausência e me ver rodeada de você. Tudo em mim tem um sentido que me guia, muitas vezes eu não reconheço o teu jogo, e me irrita saber. Eu não sei jogar, e se eu apostar, eu perco sempre. Eu não ligo de perder, é que na maioria das vezes eu permaneço no jogo, e ele já acabou e eu já perdi. Estranho, né? Aos poucos vai perdendo a graça, e a brincadeira não tem mais sentido. Só que o destino zomba bem de nós. Ao contrário de você, eu não acredito mais em enganos. Desencontro? Não sei, acho que ando desencontrada, e muitas vezes tenho a impressão de que cheguei atrasada, o que me faz pensar que eu deveria encontrar alguém, que eu não vi. Dizer o que eu não disse, ou calar o que eu já falei. Eu me atraso, e nem sei quanto de mim se foi, e quanto eu fiquei sem, quanta felicidade desencontrada, quanto amor contido, e que paz eu deixo de ter, só porque não passei naquele caminho, naquela rua, naquele horário. Vai ver que tudo isso traz coisa boa, prefiro pensar assim. Desencontrar então pode ser bom. Pode ser que seja bom você não ter ido ao meu encontro naquela viagem, que custou minha loucura, minha ansiedade, e um pouco do que eu acreditava. Não gosto de dizer que você tem razão, porque tudo aquilo me deixou no chão. Eu fui muito mais que você, eu fiz o que de nós, só você poderia, e ainda suportei o tempo... eu voltei como nunca pensei. Mas de tudo, o que suja em mim, é o gosto amargo de você nunca ter lutado por nós. O que dói é a saudade do que se perdeu com meu atraso. Prefiro pensar que a culpa não é sua, e me perco lembrando do que vivi, e mais ainda do que eu não vivi, do que se foi. Nunca amamos a tempo, você não pode ir, e eu ainda te esperei naquele aeroporto. Isso tudo traz a memória de coisas que não sei, que desconheço, porque nunca vivi, mas que estão em mim... as suas decisões que desabaram em mim. Eu sempre esperei por tuas respostas, e elas sempre chegaram levando o que eu tinha nas mãos. Nunca pensou no que poderíamos ter sido, se pudessemos ser? Pelos atrasos, atrasamos uma vida. O que me traz aqui de pé, é porque eu acredito, eu acredito muito, e sempre foi difícil te ver partindo.


Hoje eu vi que você foi bem (...)
Já que eu não precisei saber que deu tudo certo, respeito tuas verdades.


(Juliana Freitas)







Deixa tudo que eu não disse, mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente, mas eu pensei que havia

(Oswaldo Montenegro)
rosa de sol,
tua semente se foi muito cedo
e brotou para dentro
filha do sol,
depois daquele dia,
vc é o silêncio mais aflito
a dor mais antiga
caminha junto ao coração.


é o teu silêncio nos meus olhos
o teu desenho de felicidade
a tua resposta de vida
a minha rosa
sou eu, sendo tão você
vindo tão de você.



é fácil reconhecer tua voz.

domingo, 6 de setembro de 2009

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

amanheço brilhando mais forte!




rosa feita de sol,
minha resposta de vida.

eu que insisto em pintar paredes
quero minha loucura
pra acordar feliz.

tem uma parte de mim que não volta nunca mais

a minha dificuldade é andar com pés no chão.




Juliana Freitas, 21 de agosto!

domingo, 9 de agosto de 2009




Eu preciso te dizer que eu não fui embora. Me perdoe, eu não consegui passar a porta, seguir pelo jardim, fechar o portão. Me perdoe, porque não te deixei! Os poucos passos que dei não me fizeram ir longe. Também não procurei a outra margem do rio, do mundo. Eu não fui morar em marte, não abandonei minhas peças de roupa, o meu andar, não segui o vento. Eu sei que não vai ser fácil entender, porque na maioria das vezes as pessoas vão embora. Mas me perdoe, porque eu ainda estou aqui! Eu não te tirei do meu caminho, dos meus dias demorados, das minhas culpas, do meu primeiro e último pensamento do dia. Não te coloquei em nenhuma caixa pequena, não parei de ler nossas cartas e ver fotografias quando me desse vontade. Eu não te deixei porque no meu mundo, no mundo que eu acredito, e que deve existir mesmo que só dentro de mim, as pessoas não vão embora, a gente não abandona os nossos amigos. E se por algum motivo esse amigo quiser partir, o lugar dele estará sempre cuidado... a gente vai ficar e decorar a sua árvore, ela estará sempre cheia de flores, terá sombra, perfume, e muita saudade, pra que ele saiba, na sua volta, que tem um lugar, um amor.

É por isso que eu não segui pra lugar nenhum, não atravessei barreira, nada que me levasse de verdade pra longe, e não farei isso.



eu vim de muito longe,


não me deixe passar pra outro dia, outra hora, outra vida.




-
Juliana Freitas


"Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugar."
(M.Camelo)



sexta-feira, 24 de julho de 2009

a janela (entre)aberta




Essa mistura de boca amarga e mãos vazias
tem feito de mim um corpo só, os passos que dou
são de um corpo de pé
os ombros que caiam, hoje insitem em levantar... tenho olhos firmes
e vejo lugares que antes eram sombras.
tenho fechado muitas vezes a porta de minha casa, medo ainda.
mas tenho feito os pássaros cantar, ainda que só pra mim
é o meu jeito de viver, de (sobre)viver.
a música que toca agora, eu danço.
eu danço na sala de poucos móveis,
o chão limpo reflete as marcas do movimento de meus pés
cortinas de panos pendurados, da janela do corredor,
agora aberta
seguem o ritmo do vento que entra.
e no quarto, de uma cama só,
eu rompo os dias e noites
sonho com cada movimento a mais de meu corpo
todo o resto é vazio.


e ainda que duvide
tenho leveza nos pés
e corro por entre os cantos de minha solidão
e ao girar por entre o vazio que me preenche
é quando me sinto mais protegida
e ainda que o vazio de dentro possa me cortar,
a solidão podre dos grupos que estão lá fora, provocaria em mim
mais do que cortes
me destruiriam, dia-a-dia, com a (falsa) sensação de se ter.





Quando chega a noite, eu espero pouco.
Noite é quando a gente vence o dia.


era um domingo, e por medo, ninguém quer cuidar da sua dor.

tudo isso porque
uma tentativa de alivio de um, era uma culpa a mais pro outro.


- vc não tem vindo mais?

- preferi ficar mais longe,
vc insistia em dizer aquelas coisas.

- me perdoe, eu estava muito infeliz!

.

(Juliana Freitas)

sábado, 20 de junho de 2009


jamais saberá do que fizeste
por ter sido muitas vezes inteira
por querer estar inteira
pra mim

eu sigo só, entre as flores.


(...)


e quando eu estiver distante, com uma vontade de chorar, deixe.
quando eu estiver nua de mim, se afaste, não pergunte.
não fale dos meus sonhos, nem me lembre que os deixei
não brigue por eu estar sempre te perdendo e por querer me perder também
deixe que o silêncio entre pela casa e faça dela seu lar
pare de andar, e olhe pra mim
eu preciso sentir que me vê, que me lê.
não pergunte por que te quis aqui
por que te chamei, por que te quis companhia, se eu estava só
não vá me apertar contra você e dizer que te usei
que só te quis platéia
não vá embora, olhe!
me olhe todo o tempo, e se afaste
eu preciso que esta distância pouca que tenho
entre
o seu corpo de pé... aflito, e o canto onde estou
te proteja de mim

olhe, e escute mais...


Muitas vezes se é só.

eu preciso ter quem mais desejo aqui,
pra saber que não quero ninguém.

(Juliana Freitas)

.


sábado, 25 de abril de 2009

De todas as maneiras




Era íntima de mim. Podia até dizer que entrou pela porta de dentro, sentou-se e me acompanha até hoje. Não sei dizer se nascemos juntas, ou se eu já existia quando ela chegou. Ela mora dentro de mim. Por muito tempo era só o seu silêncio que eu podia ouvir. De alguma forma misteriosa, ela sempre me avisava da sua presença, era um jeito de me fazer lembrá-la. Posso dizer que convivemos pacificamente por muitos anos.
[eu não a entendia, e a deixava ficar]

Ela é daquelas marcas que não se fecham.

Que a gente carrega, que não se fecha, e passa a ser.
Eu chamo de milagre.

[Juliana Freitas]
Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar
Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás.
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava
Jamais

(A moça do sonho - Composição: Chico Buarque / Edu Lobo)






Preservar...
Eu queria preservar isso que tem aqui próximo de mim. Parece que se eu fechar bem os olhos, a boca, a respiração, eu consigo manter você aqui, ou pelo menos, toda a diferença e mudança que você fez em mim. E preservando as lembranças, assim como que sufocando, posso prolongar a minha espera, e te dar tempo.
Como se tudo pudesse acabar a qualquer momento, eu preservo. Eu corro pra fechar as janelas, a porta, e todas as fretas por onde as lembranças possam escapar. Eu apago as luzes para adormecê-las.


Eu queria que tivesse ficado, que tivesse tentado.


Juliana Freitas
-







"Só vou perguntar porque você se foi, se sabia que haveria uma distância,
e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo
que construiu junto.
E esquece sabendo que está esquecendo."

Caio F. Abreu


para sonhar.


um segundo
apertar os olhos
e sentir forte
uma pontada no peito
um alívio bom
de um segundo para sonhar.

no fim,
um sorriso doce
e um desejo
de que tudo der certo.
[Juliana Freitas]

segunda-feira, 20 de abril de 2009

"Agora já passa da hora, tá lindo lá fora, larga a minha mão, solta as unhas do meu coração..."

De todas as maneiras (Chico Buarque)



-

não pode esperar.

e foi um vento de esperança
que bateu minha porta
eu não sabia por isso não lhe disse nada
pensei que teria tempo
de sentar, se ajeitar, sentir o gosto do descanso
mas como todo vento que balança
chegou, me balançou
e se foi.
era uma esperança de amor.
E vem depressa, passa como passa...
o pássaro.


[Juliana Freitas]

. Devaneios meus .


Decidi tirar meus textos da gaveta.

sábado, 18 de abril de 2009

a tua rosa.



"Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Tu seras pour moi unique au monde. Je serai pour toi unique au monde... Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música.Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou (...)Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.(...) Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa. Foi o tempo que dedicaste a tua rosa que fez tua rosa tão importante."


Le Petit Prince (Antoine de Saint-Exupéry)