terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Com as coisas que eu gosto

Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa nessa parte do caminho
Martelo o tempo preu ficar mais pianinho
Com as coisas que eu gosto e que nunca são efêmeras
E que estão despetaladas, acabadas
Sempre pedem um tipo de recomeço

Vou ficar mais um pouquinho, eu vou

(Tulipa Ruiz)

domingo, 21 de setembro de 2014

Te desejo Vida



Eu te desejo vida, longa vida
Te desejo a sorte de tudo que é bom
De toda alegria ter a companhia
Colorindo a estrada em seu mais belo tom

Eu te desejo a chuva na varanda
Molhando a roseira pra desabrochar
E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar

Eu te desejo a paz de uma andorinha
No voo perfeito contemplando o mar
E que a fé movedora de qualquer montanha
Te renove sempre, te faça sonhar

Mas se vier as horas de melancolia
Que a lua tão meiga venha te afagar
E que a mais doce estrela seja tua guia
Como mãe singela a te orientar

Eu te desejo mais que mil amigos
A poesia que todo poeta esperou
Coração de menino cheio de esperança
Voz de pai amigo e olhar de avô











Aprendizado

o poder que é se distanciar e redimensionar as coisas...

sábado, 30 de agosto de 2014

A CONFISSÃO FINAL

Depois da minha carta, você entende agora estas palavras, minha cara Manuel Valadares? 

( quem já sentiu ter um amigo Portuga...)


            OS ANOS SE PASSARAM, meu caro Manuel Valadares. Hoje tenho quarenta e oito anos e às vezes na minha saudade eu tenho impressão que continuo criança. Que você a qualquer momento vai me aparecer me trazendo figurinhas de artista de cinema ou mais bolas de gude. Foi você, quem me ensinou a ternura da vida, meu Portuga querido. Hoje sou eu que tento distribuir as bolas e as figurinhas, porque a vida sem ternura não é lá grande coisa. Às vezes sou feliz na minha ternura, às vezes me engano, o que é mais comum.
             Naquele tempo. No tempo de nosso tempo, eu não sabia que muitos anos antes, um Príncipe Idiota ajoelhado diante de um altar perguntava aos ícones, com os olhos cheios d'água: “POR QUE CONTAM COISAS AS CRIANCINHAS’
A verdade, meu querido Portuga, é que a mim contaram as coisas muito cedo.
Adeus!
Ubatuba, 1967

inspiração e calma


A minha amiga Gabi não sabe, mas esta imagem mexe muito comigo. Tão simples, não é? As mãos, as cores, as flores, o formato... que linda fotografia! Uma inspiração, uma calma, assim...!

sábado, 16 de agosto de 2014

terça-feira, 1 de julho de 2014

O que fazes por sonhar...

É primeiro de julho e, hoje, eu sonhei com você. Novamente. Quando isso acontece, eu não sigo a mesma. Hoje foi assim. Passei o dia com um incômodo inexplicável. Uma sensação de proximidade e vazio. Eu tento tanto, busco tanto, tanto, as respostas para o que não há explicação alguma. Fico pensando o que fazer com essa sensação, então. Vou esperar o dia seguinte, ele virá.

terça-feira, 10 de junho de 2014

O que é que eu posso contra o encanto?

Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retrato
Eu teimo em colecionar

Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração

(Retrato em branco e preto)

domingo, 11 de maio de 2014

Sonho impossível


Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã se este chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão




Todo encontro genuíno de amor é também o encontro de duas pessoas que conseguem ouvir a música uma da outra e sentir alegria e descanso com aquilo que ouvem. Conseguem ouvir, não importa quantos ruídos tenham inventado pelo caminho, tantas vezes para se proteger da dor afastando a vida.

Ana Jácomo

segunda-feira, 21 de abril de 2014

"Sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante. Onde cada hora tinha o seu encanto diferente. Cada passo conduzia a um êxtase. E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações."









Esquecimento


Esse de quem eu era e era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapareceu.

Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei... tateio sombras... que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!

Descem em mim poentes de Novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisântemos...

E desse que era eu meu já me não lembro...
Ah! a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos...!

[Florbela Espanca]

quarta-feira, 16 de abril de 2014

passava...


Sim.
Todos os poemas
são de amor.
Pela rima,
pelo ritmo,
pelo brilho
ou por alguém,
alguma coisa
que passava
na hora
em que a vida
virava palavra.

Alice Ruiz

Como tu é linda, Gabriela!


Ela sabe me parar. Sempre foi assim, no tumulto, na agitação, eu sempre paro para ouvi-la. E nessas e outras, é tão bom ouvir que somos amadas. Ela diz assim: "eu amo a Juju!"
Eu paro e me derreto. < 3

a foto denuncia a nossa sintonia
NOS AMAMOS! É assim mesmo, eu amo a Gabi e eu a amo por tudo e muito mais que eu não posso dizer, só posso admirar. Amo as conversas com declarações inesperadas de quem aprende e se joga no mundo, na vida, com vontade mesmo. É essa Gabi que eu vivo, amo e admiro. Eu sei, a vida me proporcionou um dos encontros mais lindos que eu já tive, e eu agradeço. Como não me sentir agradecida nas longas conversas de olhares e corações atentos? Estamos atentas uma para a outra e isso eu chamo amor. Obrigada, Gabriela! :)