terça-feira, 5 de julho de 2016

Uma saudade

"Seu amor, seu carinho, sua presença são o maior e melhor presente que Deus
poderia ter me dado.
Nós estaremos sempre juntas e seremos sempre uma o colo da outra."

Te amo!!!!



Como vou explicar que desde então eu nunca mais estive só, nunca mais me senti só? Não sozinha de ser desacompanhada de pessoas, mas ser só com espaços, com voz, com dor. Obrigada por ser água que preenche e cura. Obrigada por ter me alcançado e me tocado com tanto cuidado e carinho.




sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016


Quem foi temperar o choro e acabou salgando o pranto?


O mal e o sofrimento
por Leandro Gomes de Barros

Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A vida gritando nos cantos



                                        Agradecer é difícil. E a gente precisa aprender, a gente precisa. Aprender a não ser só.
C.F.A

Estou apaixonada


Preciso manter a ilusão de que tudo pode ser doce. Preciso acreditar que a vida pode ser como a voz de Eliete. E que em alguma esquina, um dia — por que não? — encontrarei um amor bonito esperando por mim.

Quando saio, agora, fico impaciente. Quero voltar pra casa, colocar logo o disco para que o mundo todo se reorganize em doçura. Gostar de ouvir Eliete é cuidar de um certo jeito de olhar o mundo. Por trás do susto, perdão de olhos molhados, pegar na mão devagarinho e repetir de verdade, do fundo, sem o menor pudor, sem ânsia alguma:

—Gosto de você. Você existir me ajuda a viver.

Depois, acreditar que tudo vai dar certo. E deixar — como ela canta — que o amor dê o que falar.

O Estado de S. Paulo, 29/4/1986
Caio F.

Quando chegar fevereiro...



terça-feira, 2 de junho de 2015

Dona do abraço quentinho


Aquela era dessas saudades bem-vindas que trazem também descanso e alegria na sua cesta de bênçãos. Era dessas saudades que derrubam cercas e desenham pontes. Era dessas saudades que desembrulham lembranças que deixam o instante da gente todo perfumado de Deus. Aquela era dessas saudades generosas que bordam sol no tecido da alma com os seus lindos fios de amor.
 
Ana Jácomo


segunda-feira, 11 de maio de 2015

"O que a memória ama fica eterno.”



Hoje lembrei de você. Foi um dia carinhoso, de homenagens às mulheres, às mães, mulheres, na sua maioria, estereotipadas amáveis e, pelo que percebi, nos relatos que li na rede, são elas as donas das forças que transformam, acolhem, fazem crescer. Imagina tanto poder dimensionado e acreditado no campo além do privado? Mães ou não mães. O sentido de ser amável independe de gerar um filho. Afetividade se tem com empatia, amor, carinho vindos de pessoas dispostas. É assim que te vejo, como essa mulher. É assim também que lembro de você. Eu lembro de você nesses dias porque meu coração tem uma memória tão afetiva das suas falas, da sua disposição, dos seus conselhos, das suas ligações e das imensas e intensas trocas que vivi ao seu lado, – ou no tempo que você esteve por aqui, me acolhendo, me transformando, ouvindo os meus sonhos. Porém, eu te lembro também quando a vida aperta pra mim, quando as frustrações batem à minha porta. Ou o mais sincero seria dizer que elas não só batem à porta, mas estão dentro da casa toda? Ainda não dei o passo necessário, e, por isso, se você estivesse aqui, não se orgulharia de mim. Então, não podemos voltar a nos falar, porque eu não sou uma pessoa melhor. Se o que me machuca ainda é tão latente nas coisas que faço, vivo, convivo, não sou melhor. O que eu queria dizer mesmo agora é dessa memória...



segunda-feira, 4 de maio de 2015


Entre o enjoo de pessoas e o encanto por outras. Sabia que existem pessoas aconchegantes?

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Somebody that I used to know


But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough


segunda-feira, 13 de abril de 2015

insensato dizer...

Eu sempre tive atração pelo lúdico. Aquilo que aos poucos se desperta sem se mostrar completo. Que enche os olhos com o mistério, com a fantasia dos gestos e cores. Há poemas inteiros feitos por pausas, por tempos necessários. Isso diz muito sobre o tempo. O tempo da gente e dos outros. Porém, digo! O que é velado sempre me interessou muito. Nada de abrir todas as portas. Eu sei. Assusta. E eu... eu gosto tanto disso que só poderia ser o inverso. Eu tenho uma pressa visceral, assusto tudo e todos e mal consigo me dizer. O não dito sempre me interessou e acabou comigo. Não há como ser diferente.  Amo tanto o incerto que o odeio profundamente. Odeio quem me traz a incerteza. Sei que deixei partes de mim por caminhos que fui e me deixei porque tive muita pressa.

- Maintenant, vous êtes juste quelqu'un que j'ai connu.

sábado, 24 de janeiro de 2015

o seu nome é...

eu te disse que eu ficava com o que me cabe
não te quero mais do que você possa ser
porque eu sei que a gente é muita coisa pra muita gente
de maneiras diferentes.
e a sua parte pra mim é minha
apesar de inteira, ela não é toda você











Você sabe?


Eu fiquei um pouco ansiosa. Choveu. O trânsito logo engarrafou. O taxista foi solidário, disse que ia jogar a real – porque a rua era contramão, e a volta seria enorme – apontou o lugar do teatro e era só descer a rua. Torci para que o show tivesse atrasado. Atrasou, mas não tanto quanto eu. Entrei assim mesmo. Naquele clima intimista de plateia pequena, um pouco de vergonha por vários motivos. No vai e não vou, um fotógrafo me encorajou. Subi e sentei nas últimas cadeiras do alto à esquerda. O que eu queria ver estava à direita. Estava lá, lindo, atento, trabalhando...

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Com as coisas que eu gosto

Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa nessa parte do caminho
Martelo o tempo preu ficar mais pianinho
Com as coisas que eu gosto e que nunca são efêmeras
E que estão despetaladas, acabadas
Sempre pedem um tipo de recomeço

Vou ficar mais um pouquinho, eu vou

(Tulipa Ruiz)

domingo, 21 de setembro de 2014

Te desejo Vida



Eu te desejo vida, longa vida
Te desejo a sorte de tudo que é bom
De toda alegria ter a companhia
Colorindo a estrada em seu mais belo tom

Eu te desejo a chuva na varanda
Molhando a roseira pra desabrochar
E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar

Eu te desejo a paz de uma andorinha
No voo perfeito contemplando o mar
E que a fé movedora de qualquer montanha
Te renove sempre, te faça sonhar

Mas se vier as horas de melancolia
Que a lua tão meiga venha te afagar
E que a mais doce estrela seja tua guia
Como mãe singela a te orientar

Eu te desejo mais que mil amigos
A poesia que todo poeta esperou
Coração de menino cheio de esperança
Voz de pai amigo e olhar de avô











Aprendizado

o poder que é se distanciar e redimensionar as coisas...

sábado, 30 de agosto de 2014

A CONFISSÃO FINAL

Depois da minha carta, você entende agora estas palavras, minha cara Manuel Valadares? 

( quem já sentiu ter um amigo Portuga...)


            OS ANOS SE PASSARAM, meu caro Manuel Valadares. Hoje tenho quarenta e oito anos e às vezes na minha saudade eu tenho impressão que continuo criança. Que você a qualquer momento vai me aparecer me trazendo figurinhas de artista de cinema ou mais bolas de gude. Foi você, quem me ensinou a ternura da vida, meu Portuga querido. Hoje sou eu que tento distribuir as bolas e as figurinhas, porque a vida sem ternura não é lá grande coisa. Às vezes sou feliz na minha ternura, às vezes me engano, o que é mais comum.
             Naquele tempo. No tempo de nosso tempo, eu não sabia que muitos anos antes, um Príncipe Idiota ajoelhado diante de um altar perguntava aos ícones, com os olhos cheios d'água: “POR QUE CONTAM COISAS AS CRIANCINHAS’
A verdade, meu querido Portuga, é que a mim contaram as coisas muito cedo.
Adeus!
Ubatuba, 1967