segunda-feira, 21 de abril de 2014

"Sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante. Onde cada hora tinha o seu encanto diferente. Cada passo conduzia a um êxtase. E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações."









Esquecimento


Esse de quem eu era e era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapareceu.

Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei... tateio sombras... que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!

Descem em mim poentes de Novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisântemos...

E desse que era eu meu já me não lembro...
Ah! a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos...!

[Florbela Espanca]

quarta-feira, 16 de abril de 2014

passava...


Sim.
Todos os poemas
são de amor.
Pela rima,
pelo ritmo,
pelo brilho
ou por alguém,
alguma coisa
que passava
na hora
em que a vida
virava palavra.

Alice Ruiz

Como tu é linda, Gabriela!


Ela sabe me parar. Sempre foi assim, no tumulto, na agitação, eu sempre paro para ouvi-la. E nessas e outras, é tão bom ouvir que somos amadas. Ela diz assim: "eu amo a Juju!"
Eu paro e me derreto. < 3

a foto denuncia a nossa sintonia
NOS AMAMOS! É assim mesmo, eu amo a Gabi e eu a amo por tudo e muito mais que eu não posso dizer, só posso admirar. Amo as conversas com declarações inesperadas de quem aprende e se joga no mundo, na vida, com vontade mesmo. É essa Gabi que eu vivo, amo e admiro. Eu sei, a vida me proporcionou um dos encontros mais lindos que eu já tive, e eu agradeço. Como não me sentir agradecida nas longas conversas de olhares e corações atentos? Estamos atentas uma para a outra e isso eu chamo amor. Obrigada, Gabriela! :) 

quarta-feira, 26 de março de 2014



Teu bom pensamento longínquo me emociona.
Tu, que apenas me leste, acredistate em mim
e me entendeste profundamente.
Isto me consola dos que me viram,
a quem mostrei toda minha alma,
e continuaram ignorantes de tudo que sou,
como se nunca tivessem me encontrado.

Cecília Meirelles

Um baile de sentimentos


Com as verdades dançando na minha frente, hoje veio mais outra. Todo dia é uma nova verdade. Veio saudades, e, também, despedidas. Me despeço. Sinto saudades. Me renovo. Sou agitação. E resolução. Me descubro nos olhares das novas pessoas. Sou nova, sou amor. Sou antiga, sou sua mãe, sua irmã. Sou eu. Sou eu que sinto. Sinto, infinitamente...


...


Eu (não) quero te esquecer.



Precisei pedir ajuda. Uma outra opinião seria o suficiente para o que eu precisava e sabia que precisava: eu tinha que me desencorajar. Ainda que eu temesse o contato, existia um fio de motivação dentro de mim que dizia que eu precisava dizer... mas dizer pra quê?
Eu ouvi de uma amiga querida, "acho melhor você resolver isso dentro de você primeiro.... e não colocar tanta expectativa, sentimentos, em alguém que não está disposto a baixar a guarda e entender. Toca o barco pra frente e resolve isso internamente primeiro. Ai sim, se você ainda achar necessário, procure por essa pessoa.. você pode acabar se machucando mais, vai mais protegida, mas é só o que eu acho". 

Eu dizia, – é o meu conflito, eu temo: se eu resolver isso dentro de mim, eu sou obrigada a esquecê-la e eu não sei se é por isso que re(luto) há tanto tempo...


Saudade

O que eu estava sentindo eu queria ter escrito até o fim, mas eu apaguei. Não ficou nada... eu apaguei a saudade.

 "Estou sempre com saudades suas, e saiba que estou com vc sempre em meu pensamento."

quarta-feira, 19 de março de 2014

Só sei viver assim...



"deitei-me na grama ainda úmida de
depois da chuva.
ele se deitou ao meu
lado.
virou a barriguinha pra cima,
pedindo carinho.
ao por a mão em seu peito,
senti seu coraçãozinho batendo.
só então, finalmente, me senti em casa."

Gui Poulain

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Declaro


Esta carta é egoísta porque fala de mim, só e unicamente do meu desejo. Ignoro você e até os seus possíveis quereres para falar dos meus.

Leia. Me leia. Foi te olhando que desejei que demorasse os seus olhos em mim.  Forjando uma conversa, desejei que caminhássemos em nossos corpos, descobrindo-nos, cobrindo-nos de gostos - o meu e o seu. Eu te olhei tanto que desejei que me olhasse. Eu disse bobagens enquanto menti. Existe um ar que rondava meu desejo:

eu me apaixonei.






Nada em mim foi covarde,
nem mesmo as desistências:
desistir, ainda que não pareça,
foi meu grande gesto de coragem.


(Caio F. Abreu)