quarta-feira, 15 de abril de 2015

Somebody that I used to know


But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough


segunda-feira, 13 de abril de 2015

insensato dizer...

Eu sempre tive atração pelo lúdico. Aquilo que aos poucos se desperta sem se mostrar completo. Que enche os olhos com o mistério, com a fantasia dos gestos e cores. Há poemas inteiros feitos por pausas, por tempos necessários. Isso diz muito sobre o tempo. O tempo da gente e dos outros. Porém, digo! O que é velado sempre me interessou muito. Nada de abrir todas as portas. Eu sei. Assusta. E eu... eu gosto tanto disso que só poderia ser o inverso. Eu tenho uma pressa visceral, assusto tudo e todos e mal consigo me dizer. O não dito sempre me interessou e acabou comigo. Não há como ser diferente.  Amo tanto o incerto que o odeio profundamente. Odeio quem me traz a incerteza. Sei que deixei partes de mim por caminhos que fui e me deixei porque tive muita pressa.

- Maintenant, vous êtes juste quelqu'un que j'ai connu.

minhas histórias, pelamor!


Eu coleciono decepções, verdade! Pode zoar um pouco de mim, não é assim, sempre que me arrisco?Disfarço ansiedade com descompromisso. No fundo, a minha vontade não é só que os corpos se encaixem. A mensagem do dia seguinte dá o sentido, confirma ou não o que vivi. Parece loucura. Tão grande e ainda engatinhando. Estou um pouco incomodada com a repetição de história. Minhas iniciativas dizem alguma coisa estúpida? O que acha? Deve ser o que falei? Ou o que fiz? Ou não fiz? Do que adiantam as perguntas, se eu não faria nada diferente? Ele não deveria se incomodar. Você sabe, já te falei, pouca intimidade dá espaço para mal entendidos. Repito sempre. Eu não digo, ele também não. A gente sai com a impressão que tiver. Depois, frustração pelas não ações. Gostei de segurar as mãos. Das conversas contraditórias. A delicadeza do encontro vai embora e deixa aquele sentimento de... não sei, você me entende? Só não faz sentido, ainda.

sábado, 24 de janeiro de 2015

o seu nome é...

eu te disse que eu ficava com o que me cabe
não te quero mais do que você possa ser
porque eu sei que a gente é muita coisa pra muita gente
de maneiras diferentes.
e a sua parte pra mim é minha
apesar de inteira, ela não é toda você











Você sabe?


Eu fiquei um pouco ansiosa. Choveu. O trânsito logo engarrafou. O taxista foi solidário, disse que ia jogar a real – porque a rua era contramão, e a volta seria enorme – apontou o lugar do teatro e era só descer a rua. Torci para que o show tivesse atrasado. Atrasou, mas não tanto quanto eu. Entrei assim mesmo. Naquele clima intimista de plateia pequena, um pouco de vergonha por vários motivos. No vai e não vou, um fotógrafo me encorajou. Subi e sentei nas últimas cadeiras do alto à esquerda. O que eu queria ver estava à direita. Estava lá, lindo, atento, trabalhando...

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Com as coisas que eu gosto

Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa nessa parte do caminho
Martelo o tempo preu ficar mais pianinho
Com as coisas que eu gosto e que nunca são efêmeras
E que estão despetaladas, acabadas
Sempre pedem um tipo de recomeço

Vou ficar mais um pouquinho, eu vou

(Tulipa Ruiz)

domingo, 21 de setembro de 2014

Te desejo Vida



Eu te desejo vida, longa vida
Te desejo a sorte de tudo que é bom
De toda alegria ter a companhia
Colorindo a estrada em seu mais belo tom

Eu te desejo a chuva na varanda
Molhando a roseira pra desabrochar
E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar

Eu te desejo a paz de uma andorinha
No voo perfeito contemplando o mar
E que a fé movedora de qualquer montanha
Te renove sempre, te faça sonhar

Mas se vier as horas de melancolia
Que a lua tão meiga venha te afagar
E que a mais doce estrela seja tua guia
Como mãe singela a te orientar

Eu te desejo mais que mil amigos
A poesia que todo poeta esperou
Coração de menino cheio de esperança
Voz de pai amigo e olhar de avô











Aprendizado

o poder que é se distanciar e redimensionar as coisas...

sábado, 30 de agosto de 2014

A CONFISSÃO FINAL

Depois da minha carta, você entende agora estas palavras, minha cara Manuel Valadares? 

( quem já sentiu ter um amigo Portuga...)


            OS ANOS SE PASSARAM, meu caro Manuel Valadares. Hoje tenho quarenta e oito anos e às vezes na minha saudade eu tenho impressão que continuo criança. Que você a qualquer momento vai me aparecer me trazendo figurinhas de artista de cinema ou mais bolas de gude. Foi você, quem me ensinou a ternura da vida, meu Portuga querido. Hoje sou eu que tento distribuir as bolas e as figurinhas, porque a vida sem ternura não é lá grande coisa. Às vezes sou feliz na minha ternura, às vezes me engano, o que é mais comum.
             Naquele tempo. No tempo de nosso tempo, eu não sabia que muitos anos antes, um Príncipe Idiota ajoelhado diante de um altar perguntava aos ícones, com os olhos cheios d'água: “POR QUE CONTAM COISAS AS CRIANCINHAS’
A verdade, meu querido Portuga, é que a mim contaram as coisas muito cedo.
Adeus!
Ubatuba, 1967

inspiração e calma


A minha amiga Gabi não sabe, mas esta imagem mexe muito comigo. Tão simples, não é? As mãos, as cores, as flores, o formato... que linda fotografia! Uma inspiração, uma calma, assim...!

sábado, 16 de agosto de 2014

terça-feira, 1 de julho de 2014

O que fazes por sonhar...

É primeiro de julho e, hoje, eu sonhei com você. Novamente. Quando isso acontece, eu não sigo a mesma. Hoje foi assim. Passei o dia com um incômodo inexplicável. Uma sensação de proximidade e vazio. Eu tento tanto, busco tanto, tanto, as respostas para o que não há explicação alguma. Fico pensando o que fazer com essa sensação, então. Vou esperar o dia seguinte, ele virá.

terça-feira, 10 de junho de 2014

O que é que eu posso contra o encanto?

Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retrato
Eu teimo em colecionar

Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração

(Retrato em branco e preto)

domingo, 11 de maio de 2014

Sonho impossível


Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã se este chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão




Todo encontro genuíno de amor é também o encontro de duas pessoas que conseguem ouvir a música uma da outra e sentir alegria e descanso com aquilo que ouvem. Conseguem ouvir, não importa quantos ruídos tenham inventado pelo caminho, tantas vezes para se proteger da dor afastando a vida.

Ana Jácomo